​A minha flor está se fechando, quase negra como a Lua. Está ainda jorrando lama pelas pétalas finas. A flor está podre, quase doida de ressaca. Flor morta, que a vida um dia deu a luz. O espinhos são maiores que as raízes, têm menos água que medo, têm menos medo que fúria. 

A minha flor ainda está se fechando, sob o frio da estrada. Talvez um ou dois caminhoneiros passem por cima, na manhã primeira. Mas, ela ainda fede. O jardim de onde saiu não a reconhece mais, “flor imunda, imoral, ingrata!”.

 Ela se fechou, minha flor, para não mais abrir. Quem sabe lhe doam os espinhos, lhe arrepie o frio ou lhe enoje sua própria lama. Porém, ela fechou-se, para retornar à morte, para retornar à vida. Para não retornar mais como flor, e sim como mulher. Florinda. 

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